Procrastinação: mau hábito ou doença?

Procrastinar – Acredito que muita gente já se culpou por isso.

Irracionalmente, atrasar uma tarefa pode ter pouco efeito no nosso dia a dia, assim como dormir menos porque ficamos até tarde fazendo algum trabalho.

Agora, vamos pensar por outro ângulo?
Esperar para ir ao médico até que a doença vá piorando, pode ser bem perigoso.
No aspecto financeiro, procrastinar pode custar taxas de juros altas e, não conseguir economizar, também pode trazer prejuízos.
Então, por que razão mesmo sabendo de todos esses males, continuamos procrastinando?
Há uma percepção difundida associando procrastinação com preguiça e falta de motivação. É claro que ela envolve aspectos comportamentais. Porém, aqui estamos abordando uma visão voltada à neurociência. Portanto, sabemos que a medida que o cérebro vai amadurecendo fica mais fácil o gerenciamento deste aspecto. É válido investigar quando esta dificuldade persiste e é frequente, causando grandes danos na vida do indivíduo.

Pesquisadores investigaram em um estudo recente com ressonância magnética funcional (RMf) os fundamentos neurais da procrastinação, olhando um tipo específico de conectividade cerebral.
Esta pesquisa hipotetizou que a procrastinação é resultado de uma falha de autorregulação do comportamento. Eles usaram medidas de traços de procrastinação e autocontrole para acessar tendências procrastinativas e coletar neuroimagens dos indivíduos.
Verificou-se que regiões cerebrais envolvendo controle de impulsividade e automonitoramento podem ter menos conectividade funcional em indivíduos que procrastinam mais. Na comparação entre algumas regiões cerebrais envolvidas no controle do comportamento, todas tiveram uma conectividade reduzida em indivíduos alto procrastinadores.  Este estudo sobre a conectividade neural é uma ótima medida de laboratório sobre procrastinação ligada ao autocontrole do comportamento, que envolve o baixo gerenciamento do funcionamento cognitivo executivo.
Mas então, será que encontramos algum caminho para pensar em ajudar as pessoas que precisam reduzir a procrastinação?

 

A identificação de que a procrastinação resulta de uma falha de autocontrole e impulsividade, relacionado ao funcionamento executivo, já é um ótimo começo para pensar em intervenções que possam reduzir este tipo de comportamento.

Mas, uma coisa é certa – o reconhecimento da procrastinação como um déficit cognitivo está aumentando. Todos os trabalhos em cima disso, promovem um começo promissor na consciência e tratamento de casos mais severos do problema.

Fontes:

  1. Wu, Y., Li, L., Yuan, B. & Tian, X. Individual differences in resting-state functional connectivity predict procrastination. Pers. Individ. Dif. 95, 62–67 (2016). DOI: 10.1016/j.paid.2016.02.016
  2. Steel, P. The nature of procrastination: a meta-analytic and theoretical review of quintessential self-regulatory failure. Psychol. Bull. 133, 65–94 (2007). DOI: 10.1037/0033-2909.133.1.65
  3. http://brainblogger.com

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *