ADOLESCÊNCIA: IDADE DA OPORTUNIDADE

A Adolescência é comumente caracterizada como uma fase difícil, cheia de confusões, imprudência e hormônios alterados. Há descobertas interessantes sobre as transformações cerebrais que acontecem na adolescência, que podem nos ajudar a entender alguns comportamentos típicos dos jovens nesta fase.

Sabemos que atingimos a maturidade cerebral em torno do meio da década dos 20 anos. E esta fase transitória entre a infância e a idade adulta, pode ser vista, como sugere Laurence Steinberg, a idade da oportunidade.

O cérebro adolescente é muito bom para procurar novas experiências e também no reconhecimento e envolvimento social.

Mas e como o cérebro adolescente toma decisões? É o que muitos neurocientistas investem em descobrir.

Uma parte do nosso cérebro chamada córtex pré frontal, que é a última região a se desenvolver, continua mudando até os vinte e poucos anos. O nosso córtex frontal ajuda a pensar sobre as consequências ou potenciais consequências de nossas ações antes de fazê-las. Ele também ajuda a regular o nosso comportamento e nossas emoções. Então, faz sentido pensar, que, por conta disso, os adolescentes tomam mais decisões imprudentes.

Porém, estudar mais a fundo, regiões cerebrais mais profundas, fez com que um grupo de estudiosos focasse o estudo numa região chamada Striatum, e ele é a chave para entendermos nosso sistema de recompensa.

Então, quando um adolescente, ou, qualquer pessoa ou animal, recebe algo que é recompensador para ele, esta região é ativada e há um lançamento de dopamina fazendo com o que o cérebro tenha respostas muito excitantes quando consegue algo que gostaria.

Mas como estudar esta característica no cérebro em desenvolvimento? Este grupo de pesquisadores capturou imagens de ressonância magnética funcional num grupo de adolescentes comparado a um grupo de adultos, identificando como o cérebro responde ou é ativo, quando se mostravam dois elementos para eles (previamente sabido que gostavam dos elementos que seriam dados). E nada mais, nada menos, que açúcar e dinheiro foram mostrados a ambos os grupos. O grupo de adolescentes mostrou uma sensitividade exagerada; o striatum se tornou muito mais ativo do que no grupo de adultos, o que pode mostrar que com os mesmos estímulos, os adolescentes se mostram muito mais excitados; é como se o cérebro adolescente ficasse louco por conseguir algo. Eles concluíram que, quando o cérebro adolescente consegue algo que gosta, o cérebro vai codificar esta informação, a lembrar do que o adolescente gosta, ajudando a preconizar as decisões, para conseguir mais recompensas. E é exatamente o que acontece na adolescência. A busca grande por coisas prazerosas.

Ainda há muito para descobrirmos sobre o assunto. O cérebro adolescente está em constante mudança e é muito sensitivo para recompensas e emoções, fazendo com que, às vezes, se tenham decisões ruins. Mas, também, apresenta uma excelente oportunidade para novas aventuras, conhecer novas pessoas e se confrontar com mudanças interessantes, promover novas ideias e gerar pensamentos criativos. E, talvez, tomar alguns riscos e buscar muitas recompensas sejam comportamentos adaptativos em diversos contextos que ajudam a lidar com boas decisões, e a passar pela tão difícil transição entre a infância e a idade adulta.

 

 

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